Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. (Padre Antônio Vieira)

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Biblioteca do Futuro

China inaugura a biblioteca mais espetacular do mundo com 1,2 milhões de livros e o interior é de cortar a respiração

Ninguém gosta de ser observado enquanto lê um livro, mas estamos dispostos a abrir uma excepção se isso significar visitar essa incrível biblioteca na China, porque, como você pode ver abaixo, a incrível estrutura tem um gigante auditório esférico no meio que parece um olho gigante.

Localizada no distrito cultural de Binhai, em Tianjin, a biblioteca de cinco andares, projetada pela empresa de design holandesa MVRDV, em colaboração com o Instituto de Planejamento e Design Urbano de Tianjin (TUPDI) e desde então denominada "O olho de Binhai", cobre 34 mil metros quadrados e pode armazenar até 1,2 milhões de livros. Com a sua construção demorando apenas 3 anos, a biblioteca possui uma área de leitura no piso térreo, salas de estar nas secções do meio e escritórios, espaços de reunião e salas de informática / áudio no topo.

Nós não temos certeza se daria para estudar lá – nós estaríamos muito ocupados maravilhando-nos com a incrível arquitetura!

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Nomofobia

Como muitos de sua geração, o estudante L.L., 29 anos, ama computadores. Mas o apego à tecnologia começou a afetar os estudos, o trabalho, o relacionamento com a família e amigos. Virou uma forma de evitar as pessoas. Foi quando viu que precisava de ajuda (faça o teste e confira se também é hora de buscar ajuda).

L.L. sofre de dependência digital, ou nomofobia (do original "no mobile fobia"), uma patologia com consequências psíquicas, sociais e físicas.

Em setembro, ele iniciou o tratamento no Instituto Delete, o primeiro do Brasil especializado em detox digital e que presta atendimento gratuito.

Instalado no Instituto de Psiquiatria (Ipub) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Delete foi criado em 2013 pela psicóloga Anna Lucia King e desde então avaliou 800 pessoas com algum tipo de dependência tecnológica.


fonte: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/saiba-o-que-e-a-nomofobia-quando-o-uso-de-tecnologias-vira-doenca.ghtml

Burro de Facebook

Antônio Fagundes diz que redes sociais 'emburrecem' as pessoas e que hoje 'debate inteligente é revolucionário'

Veja o que ator aprendeu ao debater peça com plateia sem as 'palavras de ordem' e a 'agressão' da internet. Ele analisa Lei Rouanet, lembra 'Hair' com nudez em 1969 e vê 'moral do século 19' hoje.

Toda noite aos finais de semana, Antônio Fagundes faz uma coisa arriscada: abre um debate entre 700 desconhecidos sobre relações de gênero, família e questões morais espinhosas. No fim da peça "Baixa terapia", os espectadores são chamados para a conversa. Será que ainda é possível usar a arte para promover discussões civilizadas?
O ator ainda acha possível, mas nota as dificuldades. A comédia com final desconcertante estreou em março, com sessões cheias até hoje. Na noite presenciada pelo G1, uma jovem saiu chorando, horrorizada, e uma senhora elogiou, maravilhada. Mas a surpresa da noite foi o esforço por uma discussão aberta e não agressiva.
A partir desta e de outras experiências, o ator e produtor de 68 anos opinou sobre relação entre artistas e público e o mercado cultural hoje. A entrevista é dividida em três partes:
  1. No vídeo acima, ele explica porque acredita no debate a partir da arte numa era em que redes sociais nos 'emburrecem'.
  2. No vídeo abaixo, ele lembra a 'revolução' dos anos 60, como no musical 'Hair', com nudez no palco. Para ele, tentar censurar nudez na arte hoje é voltar à 'moral do século 19'.
  3. No terceiro vídeo, ele explica porque defende investimento cultural do Estado, mas não usa Lei Rouanet. Meta: 'Entrar em cena e falar o que quiser sem ninguém encher meu saco'.

  4. https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/antonio-fagundes-diz-que-redes-sociais-emburrecem-as-pessoas-e-que-hoje-debate-inteligente-e-revolucionario.ghtml

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Um trilhão, imbecis!

Em pronunciamento no plenário, nesta segunda-feira (6), o senador Roberto Requião cobrou fortemente os operadores da Lava Jato que assistem passivamente a entrega do país e o desmantelamento do setor público sem qualquer reação. O Senador perguntou diretamente a Sérgio Moro, Deltan Dallagnoll, Carmem Lúcia, Raquel Dodge e a delegados da Polícia Federal porque nada fazem quando um governo absolutamente mergulhado na corrupção vende o Brasil a preço de banana.

Lava Jato, trair a Pátria não é crime? Vender o país não é corrupção?

Roberto Requião[1]

O juiz Sérgio Moro sabe; o procurador Deltan Dallagnol tem plena ciência. Fui, neste plenário, o primeiro senador a apoiar e a conclamar o apoio à Operação Lava Jato. Assim como fui o primeiro a fazer reparos aos seus equívocos e excessos.

Mas, sobretudo, desde o início, apontei a falta de compromisso da Operação, de seus principais operadores, com o país. Dizia que o combate à corrupção descolado da realidade dos fatos da política e da economia do país era inútil e enganoso.

E por que a Lava Jato se apartou, distanciou-se dos fatos da política e da economia do Brasil?

Porque a Lava Jato acabou presa, imobilizada por sua própria obsessão;

obsessão que toldou, empanou os olhos e a compreensão dos heróis da operação ao ponto de eles não despertarem e nem reagirem à pilhagem criminosa, desavergonhada do país.

Querem um exemplo assombroso, sinistro dessa fuga da realidade?

Nunca aconteceu na história do Brasil de um presidente ser denunciado por corrupção durante o exercício do mandato. Não apenas ele. Todo o entorno foi indigitado e denunciado. Mas nunca um presidente da República desbaratou o patrimônio nacional de forma tão açodada, irresponsável e suspeita, como essa Presidência denunciada por corrupção.

Vejam. Só no último o leilão do petróleo, esse governo de denunciado como corrupto, abriu mão de um trilhão de reais de receitas.

Um trilhão, Moro!

Um trilhão, Dallagnoll!

Um trilhão, Polícia Federal!

Um trilhão, PGR!

Um trilhão, Supremo, STJ, Tribunais Federais, Conselhos do Ministério Público e da Justiça.

Um trilhão, brava gente da OAB!

Um trilhão de isenções graciosamente cedidas às maiores e mais ricas empresas do planeta Terra. Injustificadamente. Sem qualquer amparo em dados econômicos, em projeções de investimentos, em retorno de investimentos. Sem o apoio de estudos sérios, confiáveis.

Nada! Absolutamente nada!

Foi um a doação escandalosa. Uma negociata impudica.

Abrimos mão de dinheiro suficiente para cobrir todos os alegados déficits orçamentários, todos os rombos nas tais contas públicas.

Abrimos mão do dinheiro essencial, vital para a previdência, a saúde, a educação, a segurança, a habitação e o saneamento, as estradas, ferrovias, aeroportos, portos e hidrovias, para os próximos anos.

Mas suas excelentíssimas excelências acima citadas não estão nem aí. Por que, entendem, não vem ao caso…

Na década de 80, quando as montadoras de automóveis, depois de saturados os mercados do Ocidente desenvolvido, voltaram os olhos para o Sul do mundo, os governantes da América Latina, da África, da Ásia entraram em guerra para ver quem fazia mais concessões, quem dava mais vantagens para "atrair" as fábricas de automóveis.

Lester Turow, um dos papas da globalização, vendo aquele espetáculo deprimente de presidentes, governadores, prefeitos a oferecer até suas progenitoras para atrair uma montadora de automóvel, censurou-os, chamando-os de ignorantes por desperdiçarem o suado dinheiro dos impostos de seus concidadãos para premiarem empresas biliardárias.

Turow dizia o seguinte: qualquer primeiroanista de economia, minimamente dotado, que examinasse um mapa do mundo, veria que a alternativa para as montadoras se expandirem e sobreviverem estava no Sul do Planeta Terra. Logo, elas não precisavam de qualquer incentivo para se instalarem na América Latina, Ásia ou África. Forçosamente viriam para cá.

No entanto, governantes estúpidos, bocós, provincianos, além de corruptos e gananciosos deram às montadoras mundos e fundos.

Conto aqui uma experiência pessoal: eu era governador do Paraná e a fábrica de colheitadeiras New Holland, do Grupo Fiat, pretendia instalar-se no Brasil, que vivia à época o boom da produção de grãos.

A Fiat balançava entre se instalar no Paraná ou Minas Gerais. Recebo no palácio um dirigente da fábrica italiana, que vai logo fazendo numerosas exigências para montar a fábrica em meu estado. Queria tudo: isenções de impostos, terreno, infraestrutura, berço especial no porto de Paranaguá, e mais algumas benesses.

Como resposta, pedi ao meu chefe de gabinete uma ligação para o então governador de Minas Gerais, o Hélio Garcia. Feito o contanto, cumprimento o governador: "Parabéns, Hélio, você acaba de ganhar a fábrica da New Holland". Ele fica intrigado e me pergunta o que havia acontecido.

Explico a ele que o Paraná não aceitava nenhuma das exigências da Fiat para atrair a fábrica, e já que Minas aceitava, a fábrica iria para lá.

O diretor da Fiat ficou pasmo e se retirou. Dias depois, ele reaparece e comunica que a New Holland iria se instalar no Paraná.

Por que?

Pela obviedade dos fatos: o Paraná à época, era o maior produtor de grãos do Brasil e, logo, o maior consumidor de colheitadeiras do país; a fábrica ficaria a apenas cem quilômetros do porto de Paranaguá; tínhamos mão-de-obra altamente especializada e assim por diante.

Enfim, o grande incentivo que o Paraná oferecia era o mercado.

O que me inspirou trucar a Fiat? O conselho de Lester Turow e o exemplo de meu antecessor no governo, que atraiu a Renault, a Wolks e a Chrysler a peso de ouro e às custas dos salários dos metalúrgicos paranaenses, pois o governador de então chegou até mesmo negociar os vencimentos dos operários, fixando-os a uma fração do que recebiam os trabalhadores paulistas.

Mundos e fundos, e um retorno pífio.

Pois bem, voltemos aos dias de hoje, retornemos à história, que agora se reproduz como um pastelão.

O pré-sal, pelos custos de sua extração, coisa de sete dólares o barril, é moranguinho com nata,, uma mamata só!

A extração do óleo xisto, nos Estados Unidos, o shale oil , chegou a custar até 50 dólares o barril;

o petróleo extraído pelos canadenses das areias betuminosas sai por 20 a 30 dólares o barril; as petrolíferas, as mesmas que vieram aqui tomar o nosso pré-sal, fecharam vários projetos de extração de petróleo no Alasca porque os custos ultrapassavam os 40 dólares o barril.

Quer dizer: como no caso das montadoras, era natural, favas contadas que as petrolíferas enxameassem, como abelhas no mel, o pré-sal. Com esse custo, quem não seria atraído?

Por que então, imbecis, por que então, entreguistas de uma figa, oferecer mais vantagens ainda que a já enorme, incomparável e indisputável vantagem do custo da extração?

Mais um dado, senhoras e senhores da Lava Jato, atrizes e atores daquele malfadado filme: vocês sabem quanto o governo arrecadou com o último leilão? Arrecadou o correspondente a um centavo de real por litro leiloado.

Um centavo, Moro!

Um centavo, Dallagnoll!

Um centavo, Carmem Lúcia!

Um centavo, Raquel Dodge!

Um centavo, ínclitos delegados da Policia Federal!

Esse governo de meliantes faz isso e vocês fazem cara de paisagem, viram o rosto para o outro lado.

Já sei, uma das razões para essa omissão indecente certamente é, foi e haverá de ser a opinião da mídia.

Com toda a mídia comercial, monopolizada por seis famílias, todas a favor desse leilão rapinante, como os senhores e as senhoras iriam falar qualquer coisa, não é?

Não pegava bem contrariar a imprensa amiga, não é, lavajatinos?

 

Renovo a pergunta: desbaratar o suado dinheiro que é esfolado dos brasileiros via impostos e dar isenção às empresas mais ricas do planeta é um ou não é corrupção?

Entregar o preciosíssimo pré-sal, o nosso passaporte para romper com o subdesenvolvimento, é ou não é suprema, absoluta, imperdoável corrupção?

É ou não uma corrupção inominável reduzir o salário mínimo e isentar as petroleiras?

Será, juízes, procuradores, policiais federais, defensores públicos, será que as senhoras e os senhores são tão limitados, tão fronteiriços, tão pouco dotados de perspicácia e patriotismo ao ponto de engolirem essa roubalheira toda sem piscar?

Bom, eu não acredito, como alguns chegam a acusar, que os senhores e as senhoras são quintas-colunas, agentes estrangeiros, calabares, joaquins silvérios ou, então, cabos anselmos.

Não, não acredito.

Não acredito, mas a passividade das senhoras e dos senhores diante da destruição da soberania nacional, diante da submissão do Brasil às transnacionais, diante da liquidação dos direitos trabalhistas e sociais, diante da reintrodução da escravatura no país.... essa passividade incomoda e desperta desconfianças, levanta suspeitas.

Pergunto, renovo a pergunta: como pode um país ser comandado por uma quadrilha, clara e explicitamente uma quadrilha, e tudo continuar como se nada estivesse acontecendo?

Responda, Moro.

Responda, Dallagnoll.

Responda, Carmem Lúcia.

Responda, Raquel Dodge.

Respondam, oh, ínclitos e severos ministros do Tribunal de Contas da União que ajudaram a derrubar uma presidente honesta.

Respondam, oh guardiões da moral, da ética, da honestidade, dos bons costumes, da família, da propriedade e da civilização cristã ocidental.

Respondam porque denunciaram, mandaram prender, processaram e condenaram tantos lobistas, corruptores de parlamentares e de dirigentes de estatais, mas pouco se dão se, por exemplo, lobistas da Shell, da Exxon e de outras petroleiras estrangeiras circulem pelo Congresso obscenamente, a pressionar, a constranger parlamentares em defesa da entrega do pré-sal,

e do desmantelamento indústria nacional do óleo e do gás?

Eu vi, senhoras e senhores. Eu vi com que liberdade e desfaçatez o lobista da Shell, semanas atrás, buscava angarias votos para aprovar a maldita, indecorosa MP franqueando todo o setor industrial nacional do petróleo à predação das multinacionais.

Já sei, já sei.... isso não vem, ao caso.

Fico cá pensando o que esses rapazes e essas moças, brilhantíssimos campeões de concursos públicos, fico pensando.....o que eles e elas conhecem de economia, da história e dos impasses históricos do desenvolvimento brasileiro?

Será que eles são tão tapados ao ponto de não saberem que sem energia, sem indústria, sem mercado consumidor, sem sistema financeiro público, para alavancar a economia, sem infraestrutura não há futuro para qualquer país que seja? Esses são os ativos imprescindíveis para o desenvolvimento, para a remissão do atraso, para o bem-estar social e para a paz social.

Sem esses ativos, vamos nos escorar no quê? Na produção e exportação de commodities? Ora.....

Mas, os nossos bravos e bravas lavajatinos não consideram o desbaratamento dos ativos nacionais uma forma de corrupção.

Senhoras, senhores, estamos falando da venda subfaturada –ou melhor, da doação- do país todo! Todo!

E quem o vende?

Um governo atolado, completamente submerso na corrupção.

E para que vende?

Para comprar parlamentares e assim escapar de ser julgado por corrupção.

Depois de jogar o petróleo pela janela, preparando assim o terreno para a nossa perpetuação no subdesenvolvimento, o governo aproveita a distração de um feriado prolongado e coloca em hasta pública o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, a Eletrobrás, a Petrobrás e que mais seja de estatal.

Ladrões de dinheiro público vendendo o patrimônio público.

Pode isso, Moro?

Pode isso, Dallagnoll?

Pode isso, Carmem Lúcia?

Pode isso, Raquel Dodge?

Ou devo perguntar para o Arnaldo?

À véspera do leilão do pré-sal, semana passada, tive a esperança de que algum juiz intrépido ou algum procurador audacioso, iluminados pelos feéricos, espetaculosos exemplos da Lava Jato, impedissem esse supremo ato de corrupção praticado por um governo corrupto.

Mas, como isso não vinha ao caso, nada tinha com os pedalinhos, o tríplex, as palestras, o aluguel do apartamento, nenhum juiz, nenhum procurador, nenhum delegado da polícia federal, e nem aquele rapaz do TCU, tão rigoroso com a presidente Dilma, ninguém enfim, se lixou para o esbulho.

Ah, sim, não estava também no power point....

É com desencanto e o mais profundo desânimo que pergunto: por que Deus está sendo tão duro assim com o Brasil.


sábado, 4 de novembro de 2017

O que estamos esperando?

A publicação do Decreto nº 9188 no meio do feriadão enforcado pela ministra Carmen Lúcia põe a nu a desfaçatez do governo golpista e a pasmaceira que domina nossa sociedade. O Sr. Michel Temer, que conseguiu se manter na presidência usurpada graças a um leilão de ativos públicos a deputados, promove, agora, o leilão de todas as sociedades de economia mista numa penada só. Banco do Brasil, Eletrobrás, Petrobrás... a prata da casa pelas usuais misérias do mercado que "precifica" a ganância de governos corruptos. Foi assim na privatização de FHC, que rendeu míseros recursos não vistos por brasileiras e brasileiros, supostamente usados, em parte, para garantir a reeleição. Agora, com o caixa vazio, sem perspectiva de poder distribuir prebendas para parlamentares que aderem, desde que bem pagos, à liquidação de direitos, a venda das estatais é o derradeiro tiro na dignidade do Brasil.
 
Que a mídia comercial nada diga, é natural. O decreto teve que ser "prospectado" por assíduos leitores de diários oficiais. Mas o pior é que a sociedade não se move. Aceitou sem reclamar a derrubada da presidenta eleita por um legislativo ganancioso, vem aceitando arroubos malcriados de juízes e até ministros do STF fora dos autos, aceita a instalação de uma base americana na Amazônia, aceita a venda da estação de lançamento de foguetes de Alcântara aos mesmos americanos, aceita a entrega do pré-sal por preço de banana a multinacionais estrangeiras, aceita mudança na lei de diretrizes e bases por medida provisória, aceita a elevação da contribuição previdenciária de servidores públicos sem qualquer debate sério, aceita o perdão de dívidas a sonegadores endinheirados e bancos, aceita a reforma trabalhista que acaba com qualquer perspectiva de dignidade no emprego, aceita o perdão a trabalho indigno equiparado a escravo, aceita o aumento em mais de 50% do gás de cozinha, aceita provocações e mais provocações de um bando que se intitula governo sem qualquer legitimidade. Sem reagir. Como se fôssemos todos feitos de goma elástica, sem espinha dorsal.
 
Batemos palmas a um discurso idiota e mal elaborado de "combate à corrupção", que só tem logrado destruir o parque industrial estratégico do país e tirar o emprego de centenas de milhares de cidadãs e cidadãos. E deixamos estar tudo como está: o usurpador do executivo vendendo o que é nosso para se safar da justiça, ao mesmo tempo em que ricos delatores são, depois de confessados seus crimes e inculpados os alvos políticos da investigação, deixados em paz, a curtirem seu whisky de 30 anos no novembro tão azul quanto o rótulo da garrafa da ilustre bebida.
 
E così la nave và...
 
No Chile, em que o liberalismo chicaguiano venceu a esperança, foi preciso um sangrento golpe militar para a tarefa de que aqui se desincumbem com a tranquilidade do ladrão de cofre residencial que sabe a família de férias. Nada de gritos, choros ou ranger de dentes. E ainda fazem dancinha de bunda gorda na nossa cara, que nem o líder daquilo que ousam chamar de governo na Câmara dos Deputados.
 
Cadê nossa altivez, nossa honra, nossa autoestima? Será que valeu a pena sacar uma presidenta honesta por isso? Por essa pinguela para a barbárie? Será que não pensamos nas nossas filhas e nos nossos filhos, sem futuro, territorializados numa economia globalizada? Sem ativos nacionais, nosso País está perdido. Está condenado a ser um ator de terceira divisão nesse mundo de cão que se nos desenha para as próximas décadas.
 
O que falta fazer para tirar o traseiro do sofá, para tirar os dedos do smartphone e reagir? Quando nos atentarmos para o estrago, será tarde demais e o Sr. Temer nada pagará, porque estará descansando em paz com seu bilau televisado. Mas nós teremos saudades do tempo em que poderíamos ter dado um rumo diferente a nosso destino e não demos.
É melhor reagirmos. Antes tarde do que nunca.
 
Eugênio José Guilherme de Aragão
 

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

SENNETT, Richard. A cultura do novo capitalismo.

SENNETT, Richard. A cultura do novo capitalismo. 2 ed. Rio de Janeiro: Record, 2008. 189 p.

 

cultura [...] quais os valores e práticas capazes de manter as pessoas unidas no momento em que as instituições em que vivem se fragmentam. 13

prosperar em condições sociais instáveis [...] três desafios: tempo [...] talento [...] permitir que o passado fique para trás. 13-14

o mais fundamental dos problemas culturais: boa parte da realidade social moerna é ilegível para as pessoas. 20

Passar o tempo numa organização de funções preestabelecidas fixas é como rastejar lentamente escada acima, ou escada abaixo, numa casa que não concebemos. 35

postergar a realização plena torna-se um modo de vida. 36

em termos sociais, o trabalho de curto prazo por tarefa altera o funcionamento do trabalho em conjunto. 51

a desigualdade se traduz em termos de distância; quanto maior [...] quanto menos for sentido o vínculo de ambos os lados - maior a desigualdade social entre eles. 55-56

os três déficts da mudança estrutural são baixo nível de lealdade institucional, diminuição da confiança informal entre os trabalhadores e enfraquecimento do conhecimento institucional. 62

nas empresas de baixo capital social, a presão adquire vida própria e se torna embotadora. 64

[...] a miaoria dos programas de computação mais aplica que adapta normas. 67

uma pessoa de origemprivilegiada pode se dar a luxo da confusão estretégica, o que não acontece com um filho das massas. Oportunidades casuais podem oferecr-se ao filho do privilégio em virtude do meio familiar e das redes educacionais; o privilégio diminui a necessidade de traçar estratégias. 76

costuma-se dizer que as nova tecnologia pode de certa forma corrigir esta desigualdade (rede de contatos) [...] os jovens se apoderem da informação necessária para aproveitar as oportunidades. No mundo do trabalho [...] não é o que acontece. O contato pessoal é importante. Por isso é que os especialistas técnicos comparecem a tantas convenções [...] ficam fora dos processos decisórios informais. 76

o social foi minorado; o capitalismo permanece. A desigualdade torna-se cada vez mais vinculada ao isolamento. 77

os operários modernos finalmente estão enfrentando o fantasma da inutilidade automatizada. 89

quando adquirimos uma capacitação, não significa que dispomos de um bem durável. 91

a experiência vai perdendo valor à medida que aumenta [...] a extinção de capacitações é uma característica permanente do avanço tecnológico. A automação é indiferente á experiência. [...] mais barato comprar novas capacitações do que pagar pelo retreinamento. 94

Estaria a nova economia gerando uma nova política? 123

O modelo institucional do futuro não lhes fornece uma narrativa de vida em funcionamento [...] na sociedade de redes, as redes informais são tênues. 124

Na era do capitalismo social, as tensões do sistema econômico geravam ressentimento. [...] conjunto de emoções [...] crença de que pessoas comuns que jgaram conforme as regras não receberam um tratamento justo. [...] emoção intensamente social que tende a dissociar-se de suas origens econômicas; [...] gera mágoa, [...] raiva contra [...] inimigos internos que aparentemente roubam recompensas sociais a que não têm direito. No passado [...] a religião e o patriotismo tornaram-se as armas da vingança. Essa emoção não desapareceu [...] trabalhadores [...] centro-esquerda [...] para a extrema-direita, traduzindo as tensões materiais em símbolos culturais [...] uma forma excessivamente acanhada de equacionar economia com política, pis a insegurança material não acarreta apenas maneiras de demonizar os que representam a mudança, com todo o seu séquito de inseguranças. 124

A paixão autocomsumptiva. 127

a realização e a mestria são autoconsumptivas, desgastando-se os contextos e os conteúdos do conhecimento ao serem usados. 132

o que mobiliza o consumidor é a sua própria mobilidade e imaginação: o movimento e a incompletude energizam a imaginação; da mesma forma que a fixidez e a solidez a embotam. 138-139

consumidores de potência. 140

todas as máquinas [...] jogam com a identificação do comprador com o excesso de capacidade nelas contido. A máquina torna-se uma espécie de prótese médica. 142

progressista quero dizer que uma boa forma de organização política é áquela em que todos os cidadãos acreditam que estão juntos num projeto comum. [...] a nova ordem institucional se exime de responsabilidade, tantando apresentar sua própria indiferença como liberdade [...] o vício da política derivada do novo capitalismo é a indiferença. 150

estamos tão habituados à sobreposição dos comportamentos políticos e de consumo que perdemos de vista as consequências: a obsessão da imprensa e do público com os taços individuais de caráter dos políticos mascara a realidade da plataforma de consenso. [...] efeito de divorciar o poder da responsabilidade. 151

talvez a forma mais grave [...] na política moderna seja a recontextualização dos fatos. 151

Mas a facilidade para o usuário faz picadinho da democracia. Para esta, é necessário que os cidadãos estejam dispostos a se esforçar para descobrir como funciona o mundo ao seu redor. 155-156

a economia gera um clima político no qual os cidadãos têm dificuldade para pensar como artesãos. [...] a própria tecnologia [...] milita contra o engajamento. 156

o Ipod incapacita o usua´rio por seu próprio excesso de capacidade; de modo geral, o excessod e informação gerado pela tecnologia moderna ameaça tornar passivos seus destinatários

seely brown the social life of information, 2000

https://books.google.nl/books?id=2rgbwF6vn0EC&lpg=PA63&hl=pt-BR&pg=PP1#v=onepage&q&f=false

Uma transação do tipo texto-mensagem [...] muito pouco se assemelha a uma conversa; sua linguagem é mais primitiva, sendo eliminados na tecnologia os silêncios que indicam dúvida ou objeção, os gestos irônicos, as digressões momentâneas - tudo que faz a comunicação mútua. Sempre que vem a ser institucionalizada rigorosamente, a a tecnologia desabilita o artesanato da comunicação. 157

valores críticos: narrativa, utilidade e perícia. 168

as instituições de ponta, atuando em contextos temporais curtos e incertos, privam os indivíduos do sentido do movimento narrativo. O que significa [...] que os acontecimentos projetados no tempo se conectam, que a experiência se acumula. 169

a insegurança não acontece a um novo estilo de burocracia, ela é ativada. 172

As políticas giram em torno de um pivô cultural, que envolve a própria narrativa. Se na ficção o enredo bem urdido saiu de moda, na vida comum ele é uma raridade; as histórias de vida raramente são bem configuradas. Em etongrafia [...] tentativa de nossos entrevistados de fazer com que sua experiência faça sentido. E não é algo a ser resolvido de uma só vez. Muitas vezes, o entrevistado volta a relatar e reorganizar de outra maneira o mesmo acontecimento, às vezes fracionando uma história aparentemente lógica em pedaços desconexos, para tentar entender o que está sob a superfície. 172

iniciativa de narração [...] o narrador ativamente mobilizado na interpretação da experiência. 173

Nas instituições, os indivíduos muitas vezes podem sucumbir ao sentimento de que não dispõem de iniciativa narrativa; ou seja, de que carecem da possiblidade de interpretar o que lhes está acontecendo. 173

o que tentei explorar [...] foi um paradoxo: tentei mergulhar o mjais fundo possível num modo de vida cada vez mais superficial, uma cultura emergente que repudia o esforço e o compromisso corporificados na perícia artesanal. 179

é possível que a revolta contra essa cultura debilitada seja a próxima página que vamos virar. 180

 


Geração Beat

GINSBERG, Allen. A arte da poesia. In.: Geração Beat. Organização de Sérgio Cohn. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2010. p. 124-165

A única forma de você se salvar pe cantando [...] de sair das profundezas desta depressão, de arrastar seu corpo ao êxtase e ao entendimento, é se dar completamente aos desejos do seu coração. A imagem é determinada pelo compasso do coração. Você fica de joelhos ou sentado ou apoiado na cabeça e canta preces e mantras até atingir um estado de êxtase e entendimento, e o êxtase transborda do seu corpo [...] o intelecto [...] não tem relevancia nenhuma para a flor que está viva agora. 141


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